Galera, me desculpem o auê. Mas eu estou encantado com a marca que acabou de ser lançada pro Jogos Olímpicos do Rio em 2016. Minha porção carioca não pôde deixar de se sentir absolutamente representada naquela imagem que condensa de uma vez só tanta coisa que a gente se orgulha de ter e não sabe bem como por pra fora. Tem certas coisas que são tão autênticas que a gente na realidade nem mostra: exala. E essa marca conseguiu tornar tudo isso captável mesmo pra quem nunca pôde estar aqui pra sentir esse cheiro. Dêem uma olhada nisso pra dizer se eu estou mentindo. E, se você é carioca, me diga se não sentiu recompensado nesse momento por toda a empolgação com que a gente se abraçou um ano atrás, naquela mesma praia, ao descobrir que ia sediar os jogos.
(Detalhe: a parte do futebol no vídeo é exatamente no vão do Edifício Gustavo Capanema! Aquele de que eu falei dois posts atrás, onde funcionava o MEC! Pra ouvir os próprios criadores falarem da marca, dêem uma olhada aqui.)
Depois de começar o ano com o deleite visual dos fogos em Copa (e esse ano, de todos os cinco que passei aqui, foi o que mais me encheu os olhos), veio de combo-hit essa logo, colocando o design brasileiro lá em cima no momento em que o país inteiro está no alto com os olhares do mundo todo voltados pra nós. É pra entrar com dois pés direitos mesmo, né não? E saber que a gente não precisa mais ser macaco de repetição de seu ninguém pra se sentir inserido no mundo. O Brasil está tomando consciência de que não tá aqui só pra seguir tendências. Tá também pra lançá-las. E aí, mermão… alguém nos segure.
Ok, eu ACHAVA que sabia arrumar uma mala. Até hoje, sempre deram certo minhas estratégias de distribuir a bagagem em diferentes volumes do melhor jeito possível pra fazer uma verdadeira mudança sem pagar pelo excesso. Achava que mandava super bem no movimento de despachar na risca do limite de peso sem fazer o funcionário pedir pra pesar a sua bagagem de mão (já que é nela que estão seus 10 kilos a mais só de livros de que não deu pra se livrar). Mas aí eu descobri esse cara, e…
Na moral, joguei a toalha. Me reduzi à minha insignificância, botei meu rabinho entre as pernas e fui reaprender como se faz. Perto desse bróder eu me senti o lenhador de machadão perto da motosserra.
Pelo menos essa não é mais uma mudança de cidade na minha vida (seria a sétima em 21 anos). Com isso em mente e esse cara na consultoria, minha preocupação maior volta a ser outra: como é que deixar minha casa fechada durante quase quatro meses e encontrar ela habitável na volta. Quem tiver dicas me manda. Morar sozinho tem dessas.
Aí embaixo vai a versão alternativa do tutorial da mala. Depois me digam qual preferiram.
Como o mundo inteiro sabe, hoje a gente vira a página do ano que acabou e abre uma outra completamente nova. Em um português mais rebuscado, alvissareiro é tudo aquilo que anuncia boas novas, e como nesse começo de ano serão pelo menos 99, não existe expressão melhor pra começá-lo do que “ALVÍSSARAS, MEU POVO!”.
Como nessa hora a gente costuma também fazer um tipo de balanço de como as coisas estão, de pra onde queremos que elas vão, do que pesou mais no ano e tudo mais, eu preciso ainda dizer um pouquinho mais sobre um ano tão espetacular. Se ele se encerra com a vitória do 99 novas, um verdadeiro turning point na vida de qualquer um, ele já tinha começado com outra grande virada: eu ter entrado pra Escola Nacional de Circo.
Não estou falando disso à toa. Do fundo do coração, eu considero que esse seja o maior desejo que possa fazer pra todo mundo nessa virada de ano. Não existe estado de espírito que eu valorize mais do que esse de “desarmamento” que o circo me gera, onde a gente se livra dos filtros e ideias preconcebidas e se deixar levar pelo encantamento sincero e irresistível por aquilo que se vê. O circo pra mim sempre foi isso: um mundo especial onde a gente entra e vê que é capaz de fazer quase tudo que quiser, alcançar o impensável, descobrir o possível na tentativa de fazer um novo impossível a cada apresentação.
Quem dera a gente pudesse entrar no novo ano com o mesmo espírito de quem sai da lona… e olhar pro ano que passou como um grande espetáculo que acabou de ver. É por isso que o vídeo aí em baixo está aí. Essa é uma obra do Daniel Wurtzel, que a postou com o nome de Magic Carpet. Se eu já digo há muito tempo que uma tendência não são pontos, e sim movimento, esse vídeo mostra um pouco da pura poesia do movimento. Pelo menos em mim, ele provoca um pouco desse mesmo deslumbramento e desarmamento do circo.
Às vezes me perguntam como eu estou me preparando pra essa viagem… e ontem, quando vi esse tecido voando, percebi que ele respondia muito mais do que o que eu já tinha dito a todo mundo.
Me perguntam se eu tô lendo muito sobre os países, sobre os relatórios de monitoramento de tendências para o ano de 2011 elaborados por empresas especializadas em consumo, se estou engolindo os mapas e dicas de todas as cidades, etc. De fato estou fazendo tudo isso, o que pode dar a impressão de que estou apinhando tanto a cabeça que ela chega vai ficar inchada e pesada de tanta informação. Se eu fosse um bitolado maluco com a pretensão de sair especialista em todas as cidades a ponto de virar guia em todas elas, seria verdade. Mas não é esse o caso.
Meu objetivo não pode ser outro que não o de transitar pelos mais diversos meios, lugares, pessoas e ideias que puder, tentando ver o galo da tendência cantar em algum canto que não sei exatamente onde, e aí então correr atrás dele. Esse transitar tem de ser exatamente como esse pano… tão livre que encanta, tão encantador que desarma. Porque quando você desarma alguém… você abre todas as portas que a pessoa guarda.
Pro ano novo fica a lembrança de que você nunca pode ser tão sisudo e pedante de conhecimento que chegue a fechar mais portas do que abre. O Einstein já disse: “O conhecimento te leva de A pra B, e de B pra C. A imaginação te leva de A pra qualquer lugar.” Inclusive B e C.
A viagem já vai me levar pra nove lugares maravilhosos. O que vai me levar, dentro deles, a cantos tão incríveis quanto possível vai ser a minha habilidade de ser fluido como esse pano. Foi essa a aposta que a DM9 fez na minha pluralidade. É nisso que eu acredito, é isso o que faz da minha geração inteira o que ela é – fluida – e é essa leveza que eu desejo pra todos vocês no ano que vem inteiro.
Se os dias em São Paulo foram corridos, meu único dia no Rio de Janeiro antes de partir pro natal com a minha família não podia ter sido diferente. O pessoal da agência me colocou em contato com o Fábio Seixas, da Camiseteria. Vocês já ouviram falar nessa galera? Eles têm estampas maravilhosas, todas de criação própria, com sacadas sensacionais. Dêem uma olhada em algumas delas aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
Pois eu devo ser um cara de muita sorte mesmo. Minha tarefa inicial era levar uma dessas camisetas pra Milão e escolher alguém muito legal pra ganhar ela de presente. Pensei que talvez ganhasse alguma coisinha, uma lembrança, tal… Mas vejam que beleza: acabei ganhando eu mesmo um monte de camisetas pra vestir durante a viagem! Rapaz, em natal nenhum da minha vida eu ganhei tanta coisa. E muito menos tanta roupa boa e que eu tenha gostado tanto!
O que eu não posso deixar de dizer é que, tanto na visita à sede da Camiseteria quanto na passagem pela Criação da DM9, o que mais me marcou foi o ambiente em que esse pessoal trabalha. Já na configuração do espaço a gente percebe que o tipo de relação das pessoas com as ideias e entre si é muito diferente do que o que a gente ainda encontra na maioria das empresas tradicionais. Eu vou me permitir fazer um paralelo rapidinho pra explicar isso melhor.
Conhecem esse prédio aí em cima? É o Palácio Gustavo Capanema (antiga sede do Ministério da Educação no Rio). A equipe responsável pelo projeto (que tinha membros tão ilustres como Lúcio Costa e Oscar Niemeyer!) concebeu o prédio suspenso sobre um Pilotis tão livre quanto possível de divisórias como uma maneira simbólica de dizer aquilo que se pretendia para o projeto de educação para o país: a livre circulação do conhecimento e das ideias. Isso só pode ser bem entendido em contraposição ao segmentalismo que deu a tônica por muito tempo antes do movimento modernista, do qual o prédio é um grande símbolo, roubar a cena. Os modernistas entendiam que a segmentação era muito mais limitadora do que elucidativa.
Quando a gente pensa nisso, percebe que não é só chiquezinho a DM9 ter um andar inteiro de criação sem uma parede sequer separado as mesas. Não é ”sofisticado” a sala do presidente de todos os VPs ter apenas um vidro de separação com o resto do andar. Muito menos é “descolado” a Camiseteria ter a mesa de reunião do lado de uma mesa de ping-pong a três metros do mesão dos outros funcionários.
O que esses lugares perceberam é que pra acompanhar o ritmo de inovação que o mundo exige, é muito melhor trazer a horizontalidade e descentralização (que fazem o sucesso de veículos tão importantes quanto a própria internet) pra dentro do próprio local de trabalho. Do contrário, ao invés de ditar tendência e ser vanguarda, não se vai conseguir muito mais do que aquela estafante sensação de estar sempre “correndo atrás”…
E só mais um P.S., antes que eu me esqueça… FELIZ NATAL PRA TODO MUNDO!!!
Passei os últimos três dias em São Paulo. Inicialmente, a viagem era só pra resolver o problema dos vistos de Índia, China e Japão, mas é claro que valeu muito mais que isso. Pra, começar, ninguém passa três dias de um lado pro outro da paulista incólume. Entre as idas e vindas em consulados eu encontrei, como se diz por lá, uma pá de coisas, começando por esse cara:
Eu já tinha ouvido falar de gente que fazia esse tipo de trabalho (alguns chamam de pintura 3D, outros de anamórfica), mas nunca tinha tido a chance de ver um, ainda mais feito por um brasileiro. O cara em questão é o Eduardo Kobra, que além do anafórfico trabalha também há muito tempo como muralista.
Esse post do blog estimulanet fala de outros quatro artistas gringos já consagrados nessa área, e tem até um vídeo do making of do The Crevasse, feito pelo Edgar Mueller. Nesse vídeo a gente pode ver justamente o que é mais interessante de tudo isso: a possibilidade de interação do público com a obra. A maioria das intervenções urbanas dá essa possibilidade já pela subversão do espaço tradicional de exposição da arte, que sai do claustro do museu e invade o dia a dia das pessoas (assim como os flash mobs). E a interação pessoal com a obra permite que que o público vá além do contemplativo e vire meio que “dono”, ou melhor, autor dela também.
Não tem nada que aproxime mais alguém de uma ideia do que se sentir parte dela. Diversas tendências de consumo se aproximam cada vez mais da personalização enquanto meio de capturar o consumidor. Acho que isso já está mais do que claro no horizonte de pra onde a propaganda vai, e não dá pra marcar touca nesse meio. Não é à toa que a Ambev decidiu contratar justamente o Kobra no meio do ano pra fazer parte da campanha Rua Gente Boa no Rio:
Pra completar a onda da Paulista, vai esse protesto aqui de uma garotada meio vegan contra a morte de perus no natal. Com palavras de ordem de “Natal = Vida. Não mate” eles distribuiram receitas de um “Assado delicioso recheado” pra quem quiser festejar sem ter que “comer o presépio”.
Também fui surpreendido na fila para o consulado da China por duas moças sentadas a meditar no meio da calçada (com direito àqueles jatos de fumaça preta de caminhão quando passa perto e tudo). Fui perguntar se aquilo era só uma prática usual delas mesmo ou tinha algo mais. De fato tinha: era um protesto pacífico contra a criminalização do Falun Gong, uma prática de meditação que chegou a ser mais de 100 milhões (!!!) de praticantes na China antes de ser proibida pelo governo chinês. Elas também distribuíram panfletos explicativos, com site do movimento e tudo. Achei um pouquinho mais sério que o presépio, né não?
E pra encerrar o tour, aproveitando pra lembrar um post mais antigo, olha só o que eu encontrei na Avenida República do Líbano, perto do número 1000. Tá bom, não chega a ser um jardim vertical, daqueles do Patrick Blac, coisa e tal… Mas tá valendo, não tá?
Alguns dias depois, passada a euforia e as comemorações não ortodoxas – sobre as quais o decoro me impede de comentar qualquer coisa nesse momento – começa finalmente a cair a ficha… Mas ela só cai mesmo quando a gente começa a juntar a montanha de documentos pra tirar os vistos, a procurar mala, a falar todo dia com a agência pelo menos duas vezes e dar um monte de entrevistas a jornais e revistas interessados em responder a mesma coisa que eu me pergunto: afinal, como é que eu vim parar aqui?
No meio de mais de quatro mil candidatos (e, principalmente e acima de tudo, nove finalistas incríveis!) a DM9 acabou me escolhendo. A responsabilidade pesa nos ombros nessa hora… Não é qualquer coisa. Um projeto que mobilizou a agência inteira, que colocou todo mundo cheio de expectativas sobre o trabalho que o ganhador iria desenvolver, sem contar a inevitável curiosidade de uma quantidade enorme de pessoas que dariam quase tudo pra estar no meu lugar.
Talvez quando a viagem começar eu sinta um pouco mais disso, mas quem morre de véspera é peru e agora eu prefiro me preocupar com como é que um baiano calorento que mora no Rio, não abre mão da havaiana e só usa sapato em ocasiões formais vai se virar pra encontrar roupa de frio e encarar o inverno do cão que está fazendo em todas as paradas da viagem.
Quando eu descobrir eu conto. E aproveito também pra disponibilizar as matérias feitas a partir das entrevistas assim que elas saírem. Fica também o chamado pra que vocês acompanhem a viagem não só nesse blog, mas também nos outros canais que eu vou estar alimentando, principalmente a página do facebook (onde é bem mais fácil de disponibilizar fotos e vídeos em quantidade do que no blog) e o twitter.
Esse é o post mais prazeroso de se escrever, porque é nele que eu digo que o blog vai continuar por mais quatro meses!!!
Como vocês devem ter percebido… Sim! Eu ganhei o 99novas!!! Agora estão oficialmente iniciados os preparativos pra grande viagem da minha vida, e daqui até o dia 9 de janeiro eu vou fazer o que puder pra deixar vocês por dentro do que acontece enquanto ela ainda se desenha. Se antes eu já tinha convidado todo mundo a embarcar, se instigar e se renovar junto comigo, agora o convite é uma convocação!
E como já estava na hora de dividir um pouco disso com vocês, vou começar pelo começo: a hora em que eu fiquei sabendo que tinha sido escolhido.
No dia 8 de dezembro (dia de Conceição da Praia, padroeira da Bahia) a DM9 me ligou de tarde passando o contato do representante de uma empresa interessada em organizar um megaevento que teria como foco principal exatamente o circo. Imaginem como eu fiquei animado em ajudar no projeto! Só eu não: todo mundo da Escola Nacional de Circo com quem eu conversei e chamei pra reunião que tinha marcado com o cara às oito da noite num bar da Lapa. Alguns de vocês já devem conhecer o final dessa história…
Reparem na minha cara de interrogação e na incontível expressão de surpresa que soltei baixinho assim que vi a câmera… Não tinha outro jeito de reagir: eles me pegaram no contrapé mesmo! Não existia empresa nenhuma, e confesso que me senti meio que muito idiota até entender o que estava acontecendo.
Agora, que eu nunca fiquei tão feliz por ter sido enrolado por alguém, isso é a mais pura verdade.
Tudo lindo, churrasco de domingo, amigos chegando de Salvador pra passar uns dias na minha casa, FLUMINENSE CAMPEÃO, festival internacional de palhaços começando… mas o blog terminando.
Como nada na vida é definitivo e o mundo é de quem sabe se reinventar, fazer pirão da farofa pouca e ainda rir de si mesmo, escolhi essa música do Tom Zé, de que falei no post anterior, pra encerrar essa etapa.
No final das contas tudo é uma questão de perspectiva. É melhor me despedir agora, pra poder voltar depois…
Ontem fui cobrir um evento no Oi Futuro, que costuma trazer várias novidades interessantes no mundo das artes visuais, audiovisuais e cênicas. Quando eu soube que eles estavam realizando a III Mostra de Live Cinema fui correndo conferir que história era essa de misturar cinema e performance ao vivo. Projeções, música, filmagem e edição, pelo menos alguma parte tinha que ser feita na hora, na frente do público.
Estava empolgado mesmo com a possibilidade de fazer um post sobre algo tão novo, tão fresco. O trabalho intranspoRníveis, de um coletivo brasileiro, e EILE, do francês Yroyto, até que valeram a pena. Mas paciência tem limite. E mesmo que a minha seja bem grande, o resto da noite era de acabar com o bom humor de qualquer ser humano. Não dá pra aguentar de cara neutra charlatanismo artístico e agressão auditiva travestida de “transgressão”. Aliás, parece que metade da plateia concordou comigo, porque no final tinha sobrado menos do que isso na sala…
Como eu cheguei em casa ainda meio nervoso do evento, decidi me limpar com um pouco do que de mais refrescante que eu conhecia da arte de hoje. E acabei não só me renovando como percebendo um traço que me agrada muitíssimo em todas elas: a simplicidade. Não falo desse tal de “menos é mais”, atrás do qual um monte de gente se esconde pra não demonstrar a falta de conhecimento da técnica com que trabalha. Mas de um conhecimento tão profundo que te permite abrir mão de tudo aquilo que não é absolutamente essencial. Já dizia o Tom Zé: “tô estudando pra poder ignorar”.
Quem faz um trabalho desse tipo são os brasileiros radicados na França do Dos à Deux. Eles desenvolveram uma linha própria nas artes cênicas chamada Teatro Gestual, sobre o qual é bom dizer, antes que comecem as confusões, que não é nem dança nem mímica. É um tipo de teatro onde o gesto é tão preciso que não precisa nem usar palavras pra se expressar.
O Dos à Deux tem um público absolutamente fiel por todo o mundo. Mas não é só um ponto isolado de uma iniciativa peculiar. Na verdade, um dos espetáculos mais consagrados por público e crítica do teatro baiano nessa década foi O Sapato do Meu Tio, que também não tem uma fala sequer e faz do gesto o caminho mais curto (e mais forte) entre o ator e a plateia. Nessa onda de um mínimo que expressa um máximo, ao invés de reduzir o público, a Companhia do Meu Tio conseguiu ampliá-lo ainda mais, atingindo também um grupo que pouquíssimos trabalhos alcançam: os deficientes auditivos.
(Confiram o vídeo de divulgação do espetáculo aqui)
Pra encerrar, a mulher aí em baixo se chama Hiromi Uehara, e fecha perfeitamente a trinca. Apesar de um conhecimento monumental da técnica do piano, ela se permite ler qualquer clássico usando apenas o que acha mais interessante. Seu trabalho reforça ainda mais uma vez que se pode usar uma plataforma tão antiga quanto um piano, e ser absolutamente inovador ou atual com ela. Nesse vídeo ela colocou um pandeiro por cima das cordas do piano pra lembrar a sonoridade dos órgãos antigos, aqueles contemporâneos à composição da música.(Tentem ignorar a dificuldade de captar o áudio dessa gravação amadora, já que ele ficou meio estourado principalmente na parte do pandeiro).
Aproveitem e vejam também a leitura absurdamente virtuosa da Hiromi para o tema de Tom e Jerry (!). Não por acaso um dos comentários postados diz que ela só pode praticar pianojitsu pra tocar daquele jeito.
Definitivamente, existe sempre espaço pra tudo que tem qualidade na rede. Embora nada substitua a possibilidade que a experiência de ser público presente proporciona - de se deixar conduzir a lugares absolutamente surpreendentes por alguém que se acabou de conhecer – a internet continua sendo um dos melhores caminhos pra que tudo aquilo que está esquentando… pipoque.